quinta-feira, 20 de junho de 2019

Uns trocados

Imagem: Free-Photos / CC0 / imagem alterada
            Quanto mais se estuda, mais dinheiro se pode ganhar. Essa máxima, popularíssima, embora não esteja de todo errada, traz consigo não apenas uma falácia, mas também um atestado de algo cada vez mais comum: a associação do conhecimento, da cultura, ao lucro.
           
            Embora seja verdade que pessoas com uma melhor formação cultural ganhem mais, parece no mínimo ridículo buscar a sabedoria apenas tendo em vista o aumento do próprio salário.

            A sociedade, sem parar, foca cada vez mais no dinheiro, ao invés de focar na formação cultural em si. Ocorre um deslocamento de valores. Ao invés de dizermos "sou culto, por isso tenho dinheiro", afirmamos "tenho dinheiro, por isso POSSO ser culto". É como se a cultura em si não tivesse valor algum. É como se a cultura só atingisse seu auge quando envolvida em pompa e circunstância.

            Quando se fala em cultura, assim, na maioria das vezes não se está falando sobre qualquer coisa relacionada a um tipo de sabedoria e afins, mas, em última análise, em dinheiro. Se o conhecimento só tem valor quando associado ao poder, logo não é o conhecimento que importa, mas a "grana".

            Troca-se, dessa forma, os fins pelos meios. Cria-se uma monstruosa leva de pessoas envolvidas com a cultura mas que, na verdade, estão mais interessadas em dinheiro. Estudantes fazendo tal curso pelo fato dele ter um melhor retorno financeiro. Pessoas abdicando do que gostariam de fazer em detrimento de algum ganho monetário prometido.

            Deixar de lado suas inspirações mais verdadeiras em função de promessas de ganho financeiro é dar a mão para a infelicidade. Qual a graça de uma vida inautêntica?

            Pior: estamos já tão acostumados com isso que achamos perfeitamente normal. Talvez, se valorizássemos mais a cultura do que o dinheiro, teríamos vidas mais felizes, o que não nos impediria de, igualmente, arrecadar alguns trocados. Mais riqueza, não apenas financeira, mas também cultural e humana. 

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