sexta-feira, 21 de junho de 2019

Doentes

Imagem: Free-Photos CC0 / imagem alterada
            No mundo de hoje, quase todos prezam pela mudança. Coaches e treinadores, sejam da mente ou do corpo, não se cansam de dizer, gritar, que podemos ser melhores, desafiar nossos limites e abarcar o mundo. Em uma época na qual as mudanças parecem essenciais, falamos muito pouco em aceitação.
           
            Mas nem tudo pode ser mudado. Nem psicológica, nem fisicamente. Todos temos limites. Se não os tivéssemos, seríamos deuses, não seres humanos. Na verdade, mesmo em boa parte da mitologia, fosse ela egípcia, grega ou africana - para citar apenas alguns exemplos - também os deuses possuíam limites. Não podiam tudo. Atuavam em sua área de jurisdição, de acordo com sua natureza. Fora desse âmbito, não tinham poderes, dependiam de outras entidades.

            Assim, Hórus era o deus egípcio dos vivos. Anúbis, o dos mortos. Se Poseidon dominava os mares, Afrodite era a deusa do amor. Se Ogum é o orixá da guerra, Obaluaiyê é o da cura. Cada um em sua área de jurisdição, com poderes específicos.

            O "homo deus" contemporâneo, no entanto, deseja ter todos os poderes. Quer saber tudo, dominar tudo, fazer tudo. Não apenas desrespeita seus limites, como acha normal nem sequer admitir que eles existem.

            Deseja ser Zeus, Rá e Olodumare, deuses supremos das citadas mitologias, mas sem dividir com outros o domínio da criação.

            Isso está nos deixando doentes.

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