sábado, 1 de setembro de 2018

Brasil sádico

            

            Assistia, pela televisão, uma manifestação ocorrida em uma universidade. As cenas eram as piores possíveis. A PM invadira o campus e, com truculência, reprimia estudantes e professores. O que mais me causou asco, porém, foram os comentários das pessoas que assistiam comigo.

            Na época, trabalhava em uma empresa privada de transporte coletivo e aguardava em uma sala, de plantão. Ao meu redor, colegas demonstravam sádico prazer ao verem os policiais baterem nos manifestantes. Os comentários foram tecidos em um clima "festivo", com direito a "piadinhas" e "toma vagabundo!".

            Operários, como eu, frequentemente precisam fazer greve para garantir seu reajuste anual, um dissídio cada vez mais magro, miserável. Uma parte da categoria, no entanto, não exita em atacar outros grevistas, em condições salariais análogas e com os mesmos problemas.

            Como pode alguém que depende de greve, ser contra as greves de outros operários? Ser contra os protestos de professores, caminhoneiros, técnicos de enfermagem? Que falta de empatia é essa que nos move - ou, melhor, paralisa?

            Precisamos admitir, enquanto povo, que não somos "cordiais" - conforme reza a lenda. Só assim poderemos mudar. O feminicídio, a homofobia, o racismo e a truculência policial são algumas, das inúmeras provas de nossa barbárie, de nossa (in)cultura impregnada de sangue.

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