sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Amor com humor


Amor sem humor é tragédia. Somente a alegria é capaz de transformar o que é uma necessidade e uma obrigação em algo agradável. Apenas o riso, seja comedido ou escrachado, facilita a convivência entre mundos tão distantes quanto o são dois seres humanos, fadados, por natureza, à solidão.

O amor já foi representado como anjo e como demônio. Para escapar das expectativas exageradas do primeiro e evitar as armadilhas do segundo, nada como uma postura leve perante a vida, que nos devolva a humanidade, sem nos elevar nem rebaixar demasiadamente. Se for verdade que somos alguma coisa entre deuses e demônios, Aristóteles estava certo e o meio-termo nos cabe bem, e se há alguma justa medida no ato de amar, essa é o humor.

Existir é estar só. Esta limitação só é contornada através do amor. É difícil suportar a vida, os perigos, dar sentido a coisas desconexas, tentar a todo o momento amarrar as pontar soltas de sua própria história. É como se tudo transcorresse sempre em preto e branco, como em um antigo filme expressionista alemão. Para dar um pouco de cor a este horizonte carregado e sinistro, temos o amor e o riso.

Há os que preferem o romantismo exagerado de Romeu e Julieta. A história é bela, mas trágica. Mostra bem o resultado de quando o espaço do amor não é ocupado pelo riso. Em seu lugar entram a melancolia, o dilaceramento e a morte. A tragédia é ótima como ensinamento, advertência aos perigos. Mas, sejamos sinceros, ninguém deseja viver de modo tão amargo, ser aniquilado pelo destino.

A figura do sábio comumente aparece como a de um velho sentado em pose contemplativa, séria. Prefiro as imagens daquele Buda gordinho e sorridente. Uma deidade feliz, inspirando felicidade. Não à toa, essa estatueta é conhecida como “Buda da boa fortuna”. Segundo a crença, serviria para atrair riquezas. A maior riqueza dessa imagem, no entanto, está em seu semblante, tão feliz. Para se alcançar isso, talvez, não seja preciso tanto dinheiro e afins...

As histórias de amor estão repletas de sofrimentos e mortes desnecessárias. Expressam o amor em sua forma mais demoníaca. É preciso repensar o sentimento, fazê-lo mais alegre. Deixar a tragédia para o teatro, a literatura e o cinema. Fiquemos, no cotidiano, com uma abordagem mais humana e sábia: deixemos o amor cumprir com sua missão de nos fazer felizes.

Amor com humor, para afastar a dor, por favor! Ainda que as rimas sejam toscas e o tema, brega.