quarta-feira, 29 de março de 2017

Rumo

Há muitos anos, se não me engano em uma obra de Gibran Khalil Gibran, li: “o mais fraco entre nós é na verdade o mais forte”. A frase é ingênua. Fazendo, porém, jus ao seu enunciado, ela permanece em minha memória.

Poderia tê-la esquecido, entre tantas outras passagens já lidas. Lembrar-me-ia de versos de Shakespeare e de aforismas de Oscar Wilde; de trechos do Fausto goethiano e de citações de Jó; de alguma ironia machadiana ou de algum pensamento excêntrico de Hegel.

Mas não...

Entre tantos outros escritos basilares de nossa civilização, é essa frase, tão singela, que muitas vezes eu lembro, quando estou distraído ou angustiado.

Sinceramente, não lembro onde a li, se a li ou quem a escreveu. Suspeito, apenas.

Teria ela surgido espontaneamente em meus pensamentos? Talvez seja o resultado de um devaneio espremido em meio à rotina? Poderia tê-la visto em algum sonho?

Hipóteses.

Apesar da dúvida quanto a sua origem, seu significado me acompanha.

Nem sempre quem mais corre chega primeiro. Pode nem chegar.

Na verdade, não há “ponto de chegada”. Optamos por uma direção e seguimos, sem saber se conseguiremos atingir o ponto A ou B.

Rumamos em direção ao horizonte, perseguindo um sol que sempre nos escapa — mas não seria essa sua principal função?

Forte é quem permanece em seu rumo, mesmo estando em uma jangada. Navios também perdem a direção e afundam. Nesses momentos o mais fraco pode, de fato, se revelar o mais forte.

Se a perseverança é a mãe do sucesso e esse, por sua vez, é fazer aquilo que amamos, o mais importante é perseverar no rumo.

O sucesso é a direção escolhida, o caminho no qual desejamos seguir.

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