segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Procura-se um comunista humilde

Procura-se um comunista humilde, capaz de admitir que ideias comunistas foram, sim, implantadas por vários governos, como URSS, Cuba e China, entre outros — muitas vezes com efeitos catastróficos.

Procura-se um comunista que não seja um ser divino, um profeta, um Hércules político com poderes além de nossa experiência e compreensão.

Procura-se um comunista com o qual se possa conversar sem que se tenha lido Marx, Engels e afins.

Procura-se um comunista com o qual se possa dialogar sem que seja necessário se ter uma enciclopédia na cabeça sobre os acontecimentos políticos dos últimos mil anos ou mais.

Procura-se um comunista que lute pelo povo ao lado do povo e como povo.

Procura-se um comunista que não traga em si, em seu partido e em seus ideais políticos, a solução para todos os problemas da humanidade.

Procura-se um comunista que não viva de esperanças, de utopias, de sonhos, de magias, um ser real, de carne, osso e entranhas.

Procura-se um comunista que não “tire o corpo fora”, quando o comunismo for criticado, fazendo uma distinção banal entre “o comunismo em si” e “o comunismo real”.

Procura-se uma esquerda que não seja perfeita, mas admita pelo menos alguns de seus erros.

A direita é, comumente, arrogante. A esquerda sofre de uma crônica falta de humildade.

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