quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A verdade, somente a verdade

Paulo Coelho foi eleito, pela Fundação Albert Einstein, um dos cem maiores pensadores do nosso tempo.

Sou fã de Einstein. Não lembro quando foi meu primeiro contato com o mito do grande cientista, mas, creio, aconteceu ainda antes de eu aprender a ler e a escrever.

Meu pai era apaixonado por ficção científica. Comprava-me brinquedos com temas espaciais, como bonequinhos de astronautas. Deve ter sido assim, brincando e assistindo a filmes, documentários e séries, que vi, pela primeira vez, a clássica imagem do velhinho com a língua de fora.  

Na adolescência, aumentou meu interesse pelas descobertas daquele cientista. Nessa época, tive também meu primeiro contato com as obras de Stephen Hawking, Galileu Galilei e Isaac Newton.

Nas aulas de física, no Ensino Médio, eu fazia rapidamente os exercícios e ia para a biblioteca da escola. Lá, eu me perdia entre obras de filosofia, poesia e, claro, sobre a vida de grandes cientistas, compositores, pintores, filósofos e afins. Muitas delas, inclusive, eram bem antigas, das décadas de sessenta e setenta.

Apesar de, hoje reconheço, serem demasiado “romanceadas”, aquelas biografias serviram para me apresentar a um ideal de ser humano, pois me mostraram exemplos inesquecíveis de esforço e de superação.

Com a obra de Paulo Coelho, entrei em contato ali pelos meus doze anos. Já conhecia, obviamente, suas composições ao lado de Raul Seixas, um dos meus ídolos de sempre. Naquela época, meados dos anos 90, Paulo estava no auge de sua popularidade.

Meu irmão mais velho e seus amigos frequentemente apareciam com alguma obra dele. “Brida”, “O monte cinco”, “O manual do guerreiro da luz”, “Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei”, etc. Li quase todas. Não gostei... Achei chato. Previsível. Raso.

— Mas Aleixo, se milhares de pessoas gostam dos escritos do Paulo Coelho, por que você não gosta?

Há uma exceção. De um modo geral, simpatizo com “O alquimista”. Apesar de simpatizar com essa obra e ter até uma edição dela com capa dura e ilustrações do Moebius, não a vejo como um “grande escrito”. A história até é boa. A narrativa, em tom de fábula, mais ou menos bem amarrada. Mas os pensamentos são rasos. Mais do que um clássico, parece um livro de autoajuda...

E aí está o problema: não gosto dos livros do Paulo principalmente por que eles dizem às pessoas o que elas desejam ouvir. Ele mente, portanto. Passa uma visão otimista sobre a vida que está muito distante da realidade.

É uma visão falsa.

Uma das “funções” da arte, muito bem expressa pela tragédia, é nos servir de preparação para os males da existência. Todos nós sofremos. Todos nós, em algum momento, nos sentimos sós. Não ganhamos sempre. Não somos deuses.

Ter uma visão falseada da vida, puramente otimista, não irá mudar a realidade. Negar um problema não o resolve...

Ao invés de Paulo Coelho, prefiro Schopenhauer, Nietzsche e Séneca. Ninguém mais sóbrio do que esses dois grandes “pessimistas” e o velho filósofo romano. Eles não passam a mão na cabeça de ninguém. Não dão tapinhas nas costas. Não elogiam falsamente, apenas para agradar.

Eles falam sobre a vida como ela é, com todas as suas dificuldades, suas perdas e derrotas, mas também com seus desafios e aventuras. Algumas vitórias. Nunca, porém, eles deixam de nos advertir de que tudo, absolutamente tudo, tem um preço, geralmente alto.

Não gosto de ser tratado como uma criança. Sou um adulto. Desejo a verdade, somente a verdade.

Por isso, em suma, não gosto das obras do Paulo, mas gosto de Séneca, Schopenhauer, Nietzsche e Einstein: grandes buscadores da verdade. Fosse ela qual fosse, agradável ou não.

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