quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Pensar é para todos

Erich Fromm é um dos meus psicólogos favoritos. Até por que, além de psicólogo, era filósofo e sociólogo. Uma de suas obras mais conhecidas é “A arte de amar”, na qual ele procura conceituar o amor e seus antecedentes históricos para, então, o situar no mundo atual. E não se entenda “amor”, aqui, apenas como atração sexual. Em “A arte de amar”, Fromm trata sobre o amor a partir de vários ângulos, inclusive em seu sentido transcendente.

Uma das características mais admiráveis de Fromm era sua capacidade de escrever de forma simples. Ele tinha a preocupação de se fazer entendido pelo maior número possível de pessoas. Crítico ferrenho do capitalismo e da sociedade de consumo, ele acreditava que sua mensagem só teria valor se pudesse ser compreendida também pelo cidadão não erudito.

Além de “A arte de amar”, os livros “Ter ou ser?” e “O coração do homem”, valem, igualmente, a leitura.

O primeiro é, basicamente, uma crítica ao consumismo e ao valor exacerbado que o mundo ocidental dá a economia, em detrimento de áreas como a ecologia e a qualidade de vida.

No segundo, Fromm distingue dois tipos principais de orientação de caráter: o necrófilo, atraído pela morte e pela destruição, e o biófilo, voltado para a vida e sua preservação.

Se as pessoas desenvolverão um caráter inclinado para uma ou outra orientação, isso dependerá do tipo de sociedade na qual estão inseridas. Creio ser até desnecessário afirmar que Fromm identificou, em nossos dias, estímulos alarmantes para o desenvolvimento de posturas necrófilas...

Não são muitos os pensadores preocupados em transmitir sua mensagem para o grande público. Nas últimas décadas, porém, essa prática parecer estar ganhando mais adeptos. Na filosofia, por exemplo, há vários autores interessados em dividir suas ideias com o povo.

O filósofo francês Luc Ferry, inclusive, chegou a vender milhares de exemplares do seu “Aprender a viver”, um best-seller. Apesar do título, a obra não é de autoajuda, mas sim sobre a história da filosofia. Alain de Botton é outro exemplo, com “As consolações da filosofia”, “Desejo de status”, entre outros.

No Brasil, a internet tem ajudado a divulgar o trabalho de pessoas como Leandro Karnal, Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho.

Que surjam mais adeptos da prática de Fromm! Pensar não pode ser algo restrito a academia.

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