sábado, 22 de outubro de 2016

Micro-ondas

Paro em frente ao micro-ondas. Receio ligá-lo. Faz uns dois meses que não o uso. Penso: “será que vai explodir?”.

Sorrio.

Coloco o prato com comida no aparelho e o ligo. Enquanto ele cumpre com sua função, divago...

Se me pedissem para definir o mundo atual em uma palavra, eu diria: pressa!

Quase todos nós, hoje, imaginamos ter pressa, quando é a pressa que nos têm.

Ela, geralmente, é um modo de agir atrelado à infelicidade e ao dinheiro. Não é a ação, mas o modo como se age — com ou sem ansiedade.

Quando estamos felizes, não temos pressa. Quando estamos felizes, aliás, é o tempo, e não nós, que parece apressado.

Por que o mundo é tão “rápido”? Por que, de um modo geral, ele é um lugar muito infeliz. É o resultado de infelicidades que se somam.

Na sociedade de consumo, a promessa da felicidade está atrelada a se consumir sempre mais. Ou seja: em longo prazo, tudo redunda em dinheiro. Afinal, quanto mais grana, mais poderemos consumir e, assim, seremos felizes — pelo menos é o que o mercado afirma...

Ganhar mais dinheiro para, talvez, comprar a casa “dos sonhos” e o carro do ano. E depois? Que tal um relógio de ouro? Um anel com diamantes incrustados? Viajar para Dubai? Conhecer Paris? Fazer umas plásticas? E depois? Um... Micro-ondas? Mas daqueles enormes!

Na sociedade de consumo, a felicidade é um demônio encarnado cada dia em uma embalagem diferente. Mal terminamos de abrir um novo produto e a felicidade já se mudou para outro invólucro.

Uma casa simples abriga tanto quanto uma mansão. Um fusca pode nos levar de um lugar para outro (não é essa a principal função de um veículo?) tanto quanto uma Ferrari.

Se eu fosse embora hoje, levaria comigo algumas roupas, o teclado, o notebook e o celular. O resto é peso ou pano de fundo — o resto é resto!

O micro-ondas apitou. Ainda bem que não explodiu! Chega de divagar, hora de comer...

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