quarta-feira, 3 de julho de 2019

Para que serve a Filosofia?

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             Para pensar. Com método. Mas qual método? Há vários. Espera-se que um bom pensador desenvolva o seu. O que se faz ao estudar Filosofia, cursando, por exemplo, uma faculdade, ou lendo obras clássicas da área, é treinar a forma, o modo de pensar. De um treinamento contínuo e de centenas de leituras, surge um pensar que é próprio.

            Não se estuda um filósofo para se pensar apenas como ele, mas também com e a partir dele. Treinando-se o pensamento, qual bônus advém disso? Vários. Vou expor alguns.

            A Filosofia como remédio. A vida é feita de conflitos. Continuamente. Muitos deles, inclusive, internos. Ter um pensamento "afiado", bem como um repertório de conhecimentos filosóficos, pode ajudar a se pensar melhor esses conflitos, buscando ou solucioná-los (o que é muito difícil) ou amenizá-los (o que já é uma grande coisa). A Filosofia ainda tem outro "bônus" quanto a isso: ela não busca somente curar ou consolar, mas também nunca perde de seu campo de visão a busca pela verdade. Consolo sim. Cura, se possível. Sem, no entanto, sacrificar a procura da verdade, tal como a razão é capaz de captá-la.
           
            A Filosofia como guia. É difícil saber o que se fazer com a própria vida. Há os que seguem um caminho mais ou menos premeditado, influência de seu meio social e familiar. Há profissões, por exemplo, que não são escolhidas, mas impostas ao indivíduo durante sua juventude. No extremo oposto, estão os sujeitos sem direcionamento algum, sendo simplesmente "levados" pela vida. Nesse modelo, não há nem vida imposta, nem vida escolhida. É um abandono contínuo, sem objetivos definidos.

             A Filosofia é uma das mais antigas áreas do conhecimento. Se há algo que não lhe falta, são exposições sobre as melhores formas de se viver. De Platão a Schopenhauer, passador por Aristóteles e Séneca, Spinoza e Kant: quase todos os grandes pensadores oferecem algum modelo do que seria, na visão deles, uma vida bem-sucedida, feliz. Não receitas prontas, superficiais. Um bom filósofo clássico sempre tem algo mais a oferecer. Analisando os vários caminhos possíveis, cada um pode se inspirar para construir o seu.

            Seria bom, em um tempo de tanta superficialidade, que todos tentassem, ao menos uma vez, atingir um ponto de reflexão mais contundente em suas vidas. Infelizmente, apesar de ter certa representação na sociedade, a Filosofia está longe de ser popular.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Muitas Cinzas - Sobre a impressão na gráfica Bok2



Chegaram ontem as provas do meu livro "Muitas cinzas". Fiz este vídeo sobre a impressão da gráfica Bok2, de São Paulo, pensando em outros escritores que também estão procurando uma gráfica para imprimir sua obra. Confira comigo a qualidade da impressão! ;)
Clique aqui para acessar a página da Bok2.

sábado, 22 de junho de 2019

Na essência

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            É difícil, para qualquer um, olhar para si mesmo e aprender a conviver com seu lado obscuro. Todos deveriam adquirir consciência do mal que carregam dentro de si. Infelizmente, “gurus” modernos e livros de autoajuda não se cansam de afirmar que devemos focar apenas em nossos pontos positivos.

            Não é bem assim...

            Entre as ciências humanas, temos a Psicanálise, operando a partir da descoberta daquilo que nos incomoda e, quer desejemos ou não, faz parte de nosso ser. Não está no outro, no vizinho, no colega de trabalho de quem não gostamos, no partido político, no sistema. Está em nós e, sendo parte de nossa natureza em termos de espécie, simultaneamente, está em todos.

            Há ainda outra área, da psicologia, a trabalhar muito bem com esse “eu nefasto”. Trata-se da Psicologia Analítica, também conhecida como Psicologia Complexa ou, simplesmente, junguiana. Fundada por Carl Gustav Jung na primeira metade do século passado, ela tem um conceito específico para se referir a essa parte de nossa natureza: sombra.

            A sombra é, segundo Jung, parte de nossa estrutura psíquica, sendo encontrada em todos os representantes da espécie. Trata-se daquela parte rejeitada de nós mesmos que, muitas vezes, nem ousamos admitir, repleta de egoísmo e violência. A sombra não deseja nada além de satisfazer seus próprios desejos, pouco se importando com questões morais. Em comparação à Psicanálise, ela estaria alocada junto ao inconsciente.

            Quando não conseguimos suportar nossos mais sujos defeitos, ainda segundo Jung, tendemos a projetá-los. Não são de surpreender, assim, notícias sobre pessoas que, gritando contra a corrupção, bradando contra adversários políticos supostamente corruptos, acabam elas próprias presas por cometerem delitos tão ruins quanto ou até mesmo piores. O que temos dificuldade de suportar em nós, lançamos aos outros e passamos, então, a lhes apedrejar.

            Pelo mesmo motivo, deve-se desconfiar de todo sujeito demasiadamente esforçado em passar uma boa imagem de si mesmo, em parecer muito correto. Pode ser alguém que, tendo dificuldade em notar e suportar sua própria podridão, a projeta nos outros e, simultaneamente, faz hercúleo esforço, mesmo que inconsciente, para escondê-la.

            Ninguém é “bonzinho”. O santo, bem como o sábio, são ideias, idealizações, a nos puxarem para frente, objetivos inatingíveis em sua plenitude. Servem para nos ajudar a buscar a perfeição, tendo consciência, porém, de que jamais a alcançaremos. Aqueles que pensam tê-la atingido, não passam de grandes ignorantes. Fuja deles! Pois irão, mais cedo ou mais tarde, meter-lhe em encrencas...

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Doentes

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            No mundo de hoje, quase todos prezam pela mudança. Coaches e treinadores, sejam da mente ou do corpo, não se cansam de dizer, gritar, que podemos ser melhores, desafiar nossos limites e abarcar o mundo. Em uma época na qual as mudanças parecem essenciais, falamos muito pouco em aceitação.
           
            Mas nem tudo pode ser mudado. Nem psicológica, nem fisicamente. Todos temos limites. Se não os tivéssemos, seríamos deuses, não seres humanos. Na verdade, mesmo em boa parte da mitologia, fosse ela egípcia, grega ou africana - para citar apenas alguns exemplos - também os deuses possuíam limites. Não podiam tudo. Atuavam em sua área de jurisdição, de acordo com sua natureza. Fora desse âmbito, não tinham poderes, dependiam de outras entidades.

            Assim, Hórus era o deus egípcio dos vivos. Anúbis, o dos mortos. Se Poseidon dominava os mares, Afrodite era a deusa do amor. Se Ogum é o orixá da guerra, Obaluaiyê é o da cura. Cada um em sua área de jurisdição, com poderes específicos.

            O "homo deus" contemporâneo, no entanto, deseja ter todos os poderes. Quer saber tudo, dominar tudo, fazer tudo. Não apenas desrespeita seus limites, como acha normal nem sequer admitir que eles existem.

            Deseja ser Zeus, Rá e Olodumare, deuses supremos das citadas mitologias, mas sem dividir com outros o domínio da criação.

            Isso está nos deixando doentes.